A pandemia global COVID-19, causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 tem sido um verdadeiro desafio para toda a espécie humana e em particular para os cientistas e médicos, que têm a responsabilidade de encontrar os meios que permitam:

  • a redução da curva de incidência,
  • tratar com efetividade a doença,
  • reabilitar os pacientes com COVID-19,
  • minimizar as complicações associadas e a mortalidade.

Algumas das muitas características da COVID-19 são:

  • a sua não especificidade,
  • a capacidade para danificar órgãos, tecidos e sistemas de função regulatória,
  • o desenvolvimento de Disfunção Endotelial (DEn ou EnD = Endothelial Dysfunction).

A DEn pode ser designada como um fator amplamente comum a várias perturbações, havendo a opinião de que a lesão vascular endotelial é a base da disfunção de órgãos, tecidos e sistemas, nos casos de infeção grave pelo SARS-CoV-2.

O que é o Endotélio?

O Endotélio é um órgão endócrino cardiovascular que, em situações críticas, permite a comunicação entre o sangue e os tecidos. Atua como barreira entre o sangue e a parede vascular, ajuda no processo de adaptação às alterações das condições ambientais, através da regulação local do tónus vascular, proteção da integridade da parede vascular, etc.

Normalmente, as células endoteliais, a seguir a alterações na intensidade do fluxo sanguíneo, exposição aos mediadores ou neuro hormonas, reagem aumentando a síntese de substâncias que causam o relaxamento das fibras musculares lisas das paredes vasculares (óxido nítrico (NO) e outros relaxantes). Também atuam no sentido de prevenir a trombogénese, bloqueando a agregação das plaquetas, oxidando as lipoproteínas de baixa densidade (LDL), exprimindo a adesão molecular, “colando” monócitos e plaquetas à parede vascular, produzindo endotélio, entre outros.

A Disfunção Endotelial é um processo complexo e multifacetado encontrado tipicamente no contexto das perturbações cardiovasculares, metabólicas e imunitárias. É um desafio atual e sério para os clínicos práticos, mesmo quando considerado fora da ligação à Covid-19.

Com o desenvolvimento desta infeção viral como condição subjacente, explorar os meios pelos quais se possa prevenir esta patologia, é de importância fundamental.

Muito antes da pandemia com COVID-19, características individuais, significativas para condições críticas, observadas dinamicamente, desencadearam estudos que revelaram condições de comorbilidade geneticamente diagnosticada, marcadores associados a um risco aumentado de pneumonia nosocomial adquirida na comunidade, risco do desenvolvimento de síndrome de disfunção respiratória aguda, DCV (doença cardiovascular) causada por complicações trombóticas.

Tais pacientes necessitam de uma abordagem não corrente em situações críticas.

A abordagem personalizada é uma estratégia popular em várias fases da reabilitação, permite a escolha dos tratamentos mais efetivos, que podem ser farmacoterapia e métodos não medicamentosos, incluindo a Terapia com Laser de Baixa Intensidade (LLLT – Low Level Laser Therapy).

Mecanismos fisiológicos moleculares e celulares de regulação da homeostase vascular

O organismo humano tem a capacidade de autorregulação – Homeostasia.

As manifestações fundamentais da DEn decorrem da supressão da enzima endotelial Óxido Nítrico Sintetase (NOS), resultando na consequente redução de produção de Oxido Nítrico (NO) – o principal vasodilatador.

O endotélio desenvolve uma ação fundamental para a manutenção da homeostase vascular, dado que liberta substâncias biologicamente ativas, mas é também suscetível aos efeitos dos reguladores externos:

Mastócitos que libertam heparina e histamina;
Plaquetas que contêm fatores de crescimento vasculares endoteliais e fatores de coagulação sanguínea, etc.;
Hormonas e neuro péptidos (adrenalina, acetilcolina, histamina, bradicinina, etc.).

Apesar de serem conhecidos os mecanismos de regulação, as vias para remediar a disfunção endotelial farmacologicamente exigem mais estudos para a sua compreensão e avaliação, dado que habitualmente apresentam efeitos secundários negativos e oferecem resultados medíocres. Assim, os procedimentos fisioterapêuticos são uma das opções consideradas quando o estado funcional do endotélio precisa de ser normalizado.

Influencia da LLLT na regulação dos fatores vasculares da homeostase e imunidade.

Diversos estudos confirmam que a LLLT pode estimular a libertação de NO, por consequência permitindo a regulação da homeostase vascular.

Outros demonstram uma relação direta entre a concentração intracelular de Ca2+ e o aumento da intensidade de síntese de NO e consequente vasodilatação.

As técnicas correntes de terapia laser exploram ativamente o bem conhecido efeito anti-inflamatório da LLLT. Numerosos estudos têm mostrado que a LLLT pode ativar os fagócitos (que absorvem as partículas estranhas provenientes das bactérias, vírus, e células mortas) e a síntese de citoquinas, incluindo interferões (IFNs), que garantem a primeira linha de defesa imunitária contra vírus. Os IFNα e IFNβ segregados pelos linfócitos, macrófagos, fibroblastos e algumas células epiteliais, estimulam a atividade dos macrófagos e das células natural killer (NK). O IFNγ, segregado pelas células T, regulam a resposta imune, e têm efeitos antiviral e antitumoral.

Além disso, a LLLT melhora as micro e macrocirculação aumentando a saturação dos tecidos danificados com oxigénio e melhorando o seu fornecimento trófico através da aceleração do metabolismo e proliferação, iniciando o desenvolvimento dos processos de recuperação.

Estas propriedades da LLLT fazem dela um instrumento efetivo de prevenção e terapêutica que pode ser utilizado para contrariar as sequelas da Covid-19 e ainda prevenir o desenvolvimento de fibrose pulmonar.

Tratamento ou prevenção das sequelas da Covid-19 com base na LLLT

Àqueles que estiveram em contacto com doentes ou que chegam de áreas epidemiologicamente não seguras são-lhes prescritos 3 a 5 procedimentos de LLLT, como medida de prevenção; o programa de tratamento inclui 10 a 12 tratamentos de laser.

A utilização do tratamento com laser nos doentes com sequelas da Covid-19, feito pela primeira vez no “Central Clinical Hospital for the Rehabilitation of FMBA” da Rússia, é referido como um exemplo das prometedoras terapias sem fármacos atrás referidas.

Esta terapêutica já se encontra em uso também no Brasil e EUA.

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