A próstata é uma glândula exclusiva do homem, em forma de castanha, colocada debaixo da bexiga e em frente do reto. A uretra (canal por onde sai a urina) atravessa-a pelo centro, de forma que a urina sai da bexiga atravessando a próstata. Os canais ejaculadores transportam os espermatozoides (produzidos nos testículos) e o sémen (produzido nas vesículas seminais). Estes canais ejaculadores atravessam a próstata desde a sua parte posterior até à uretra.

Durante a infância, esta glândula é pequena, e aumenta de volume até atingir o seu volume normal durante a puberdade. No adulto, em condições normais, tem, aproximadamente as seguintes dimensões: 4 cm de largura, 2,5 cm de espessura e 3 cm de comprimento, com peso médio de 20gr.

A função da próstata é produzir e armazenar um fluido incolor e ligeiramente alcalino que constitui 10% a 30% do volume do fluido seminal, designado fluido prostático. Junta-se ao líquido proveniente dos testículos (que contém os espermatozoides), das vesículas seminais (que produzem a maior parte do esperma) e ainda de outras glândulas mais pequenas, situadas em torno da uretra, contribuindo assim para a formação do esperma ou sémen.

A alcalinidade do fluido ajuda a neutralizar a acidez do trato vaginal, prolongando o tempo de vida dos espermatozoides.

A próstata também contém alguns músculos lisos que ajudam a expelir o sémen durante a ejaculação.

Os fluidos prostáticos são ricos em cálcio, zinco, ácido nítrico, fosfatase ácida, albumina e de antígeno específico da próstata (PSA).

Quando se fala em doenças da próstata, os portugueses têm apenas uma preocupação: cancro. Contudo, existem outras doenças, que apesar de benignas, condicionam bastante a qualidade de vida dos doentes. É o caso da Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) que normalmente está associada ao avançar da idade.

A HBP manifesta-se em mais de 50% dos homens com mais de 50 anos e não há nada que se possa fazer para evitar o seu aparecimento, mas os potenciais danos/sintomas podem ser minimizados através de uma vigilância adequada que poderá ajudar a tratar atempadamente eventuais problemas que possam surgir. Este processo surge de forma progressiva e quase inevitável com o avançar da idade sendo que na maior parte dos casos esta alteração é inofensiva.

A próstata aumenta progressivamente de tamanho com a idade. Ocorre um aumento do número de células da próstata (daí o termo Hiperplasia Benigna da Próstata) e, em consequência, o órgão aumenta de tamanho. Este aumento resulta da ação de uma hormona sobre a próstata, a testosterona, que é a principal hormona masculina.

Embora haja o crescimento da Próstata considerado normal durante o processo de envelhecimento, a partir dos 40-50 anos, a próstata pode crescer rapidamente, desenvolvendo-se a HBP. E, portanto, alguns homens podem apresentar um volume prostático maior do que o normal para essa idade. É como que com 50 anos esses homens apresentassem uma Próstata de alguém com 80 anos, por exemplo.

Ainda que os seus níveis de antigénio prostático específico (PSA – Prostate-Specific Antigen) possam estar elevados, a hiperplasia prostática benigna não é considerada uma lesão pré-maligna.
Existe o mito de que a Hiperplasia Benigna da Próstata pode evoluir para um cancro, porém essa informação é absolutamente falsa. Contudo, apesar de ser uma doença benigna, por vezes pode ter complicações muito sérias.

Mas porque ocorre a Hiperplasia Benigna da Próstata?

O seu desenvolvimento deve-se a vários fatores, destacando-se:

  1. A idade acima dos 40, pois está intimamente ligada a alterações do perfil hormonal. Em várias etapas do desenvolvimento masculino, o tecido celular adjacente à uretra multiplica-se. Quando o homem envelhece, a produção de testosterona é mais reduzida e parte da quantidade de testosterona ativa no sangue é transformada em estrogénios (hormona feminina). Essa conversão dá-se principalmente pelo aumento da atividade das enzimas aromatase e 5-alfarredutase. Este contexto orgânico promove a multiplicação descontrolada de células da próstata. Simultaneamente, nesta glândula, existem recetores androgénicos que são estimulados pela Dihidrotestosterona (DHT) favorecendo o aumento do tamanho prostático.
  2. O consumo exagerado das mais variadas fontes de açúcares tende a ativar a enzima aromatase e, por consequência à diminuição dos níveis de testosterona, e a subida dos níveis de estradiol, resultando no aumento da próstata. Evidenciando-se assim que a alimentação está diretamente associada aos níveis hormonais e indiretamente ao volume da próstata.

A Hiperplasia Benigna da Próstata pode afetar diretamente a virilidade dos homens?

Ao contrário do que muitas vezes se pensa, a Hiperplasia Benigna da Próstata não afeta a sexualidade, nem a virilidade dos homens.

Assim, os homens que sofrem desta doença queixam-se, por exemplo, de um jato urinário muito fraco, de demorarem muito tempo a urinar, muitas vezes ficando a pingar no final da micção, de terem de fazer um grande esforço para urinar, de não conseguirem esvaziar a bexiga completamente, de urinar muito frequentemente, quer de dia quer de noite, de terem uma vontade muito súbita ou urgente de urinar (por vezes não conseguindo reter a urina e apresentando perdas de urina) e de dor na barriga (geralmente abaixo do umbigo). Se não forem adequadamente tratados, podem mesmo chegar a ficar com a “urina presa” (retenção urinária), tendo por isso de colocar uma sonda ou, mesmo, vir a sofrer de insuficiência renal – os rins podem mesmo deixar de funcionar, em casos mais graves da doença.

Como se percebe, estas queixas causam uma grande perturbação na qualidade de vida dos doentes. É fácil imaginar que uma pessoa que acorde 3 ou 4 vezes de noite para urinar não consegue ter um sono descansado. Também quando perde urina na roupa, quer antes quer no fim de urinar, essa situação causa desconforto, físico, emocional e social.

São sintomas que perturbam o bem-estar do doente, a sua vida pessoal, profissional, social e de relação. Mas ao contrário do que muitas vezes se pensa, esta doença não afeta diretamente a sexualidade ou a dita virilidade masculina. É, contudo, normal que uma pessoa neste cenário não se sinta muito confortável ou bem-disposta para a relação sexual.

Com a melhoria da qualidade de vida global dos doentes que se obtém com a maior parte dos tratamentos para a HBP, também, há uma melhoria da sexualidade, nos seus diferentes aspetos e vertentes. Isto porque, se os resultados dos tratamentos forem positivos, o homem passa a ter uma maior qualidade de vida, maior disponibilidade e maior vontade de ter uma vida sexual mais satisfatória.

Quais os sintomas mais comuns da Hiperplasia Benigna da Próstata?

A Hiperplasia Benigna da Próstata surge como nódulos à volta da uretra prostática, à medida que vão aumentando formam-se lóbulos que podem comprimir a uretra e dificultar a passagem de urina, resultando nos chamados sintomas obstrutivos.

A cápsula prostática é formada por fibras musculares lisas e colagénio, que apresenta diferentes graus de elasticidade e distensibilidade, quando muito elástica e distensível, o volume da HBP (adenoma) pode crescer muito, expandindo-se para a periferia, não comprimindo a uretra. Quanto menos elástica e distensível for esta cápsula, mais o crescimento da HBP terá tendência para comprimir a uretra e provocar um conjunto de sintomas designado por prostatismo.

Sintomas obstrutivos:

  • Dificuldade para começar a urinar;
  • Diminuição da força e calibre do jato urinário;
  • Incapacidade para interromper bruscamente a micção;
  • Gotejo terminal;
  • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e, por vezes, retenção urinária, que é favorecida pela ingestão de álcool, infeções urinárias, ingestão de fármacos antidepressivos, tranquilizantes ou anticolinérgicos.

Sintomas irritativos:

  • Urinar com maior frequência (polaquiúria) – intervalos inferiores a 2 horas;
  • Urinar várias vezes durante a noite (mais de 2 vezes);
  • Urgência em chegar à casa de banho quando sente vontade de urinar ou urgência urinária e perda de algumas gotas de urina (incontinência urinária de urgência).

Estes sintomas podem ocorrer isoladamente ou em conjunto. Podem ser leves, moderados ou severos. Há situações agudas, como a retenção de urina, levando o paciente ao hospital, a fim de que uma sonda lhe seja introduzida na uretra para esvaziar a bexiga.

Muitas vezes, o quadro clínico da HBP é acompanhado de prostatite crónica (inflamação da próstata). Como decorrência da prostatite podem aparecer alguns sintomas relacionados com a parte sexual como, disfunção erétil e alterações no processo de ejaculação (ejaculação precoce, retardada ou não ejaculação).

As alterações inflamatórias na glândula prostática causam e/ou agravam os sintomas irritativos e obstrutivos da HBP, reduzindo assim a qualidade de vida dos homens que sofrem desta patologia. Assim sendo, sempre que a prostatite esteja associada a HBP são necessárias medidas específicas para a sua identificação e tratamento.

Existe tratamento para a Hiperplasia Benigna da Próstata?

Apesar desta doença não ter prevenção nem cura, tem tratamento. Contudo, nem todos os doentes precisam de o fazer: antes de definir o tipo de tratamento a adotar é essencial apurar se é realmente necessário fazer um tratamento.

Muitas vezes esse crescimento acelerado da próstata causada pela HBP, não traz qualquer tipo de sintomas, portanto, em princípio, não necessita de qualquer tratamento, necessita apenas de uma vigilância regular.

O diagnóstico da Hiperplasia Benigna da Próstata pode ser feito através de:

  1.  História clínica;
  2.  Exame físico (toque retal);
  3.  Exame PSA;
  4.  Análise da urina;
  5.  Ecografia prostática;
  6.  Registo miccional (informações objetivas sobre a frequência e o volume miccional durante 24h).

Depois de ser confirmado medicamente de que existe de facto HBP o próximo passo é estabelecer uma estratégia de abordagem à situação, de vigilância e despiste de complicações.

Tratar a doença nas fases iniciais, valorizando os sintomas moderados e prescrever o tratamento necessário, evitando que o paciente chegue à mesa de operações deve ser o objetivo dos tratamentos e também da prevenção. É importante ressaltar que os sintomas relacionados com a HBP não são manifestações naturais do envelhecimento e que não os deve desvalorizar, nem se automedicar, deve sempre procurar ajuda médica especializada.

Não é o tamanho da próstata, nem os valores do PSA elevados, que impõem qualquer tratamento médico e/ou cirúrgico. Mas sim a avaliação de todos os fatores intervenientes no desenvolvimento da HBP, a sua forma clínica e as patologias associadas.

O tratamento cirúrgico pode levar a algumas complicações:

  •  A cirurgia provoca ejaculação retrógrada;
  •  É dispendioso;
  •  O paciente fica dependente da medicação para o resto da vida;
  •  Pode provocar incontinência e impotência sexual.

Já o tratamento conservador utilizado na nossa prática clínica:

  •  Recupera a funcionalidade da próstata;
  •  Restabelece as funções urogenitais;
  •  Recupera a função sexual;
  •  Melhora o controlo da função erétil;
  •  Obtém resultados mais rápidos, eficazes e duradouros;
  •  Apresenta uma elevada taxa de sucesso após a 1ª série de tratamentos.

Quando não tratada, a HBP pode levar a graves complicações como, cálculos na bexiga, infeções urinárias, insuficiência renal e retenção urinária, que obriga ao uso de algália, e se tiver associada a Prostatite pode levar à impotência sexual.

No tratamento da HBP, associada ou não a prostatite, os nossos resultados de sucesso são comprovados com a terapêutica integrada que consiste na utilização simultânea de vários métodos específicos de tratamento, sempre que se verifiquem necessários e que se descrevem a seguir:

  1. Terapia farmacológica: a utilização de medicação recomendada e/ou antibióticos de largo espetro, são indispensáveis em simultâneo com as restantes formas de tratamento;
  2. Massagem prostática: consiste na drenagem do fluido prostático de forma a eliminar a inflamação da próstata, reduzindo-lhe também o volume;
  3. Laserterapia: a Terapia Laser de Baixa Intensidade reforça a microcirculação, tem efeito anti-inflamatório, analgésico, antioxidante, restabelece a homeostase geral, sexual, genital e peniana, normalizando a função urinária e energia sexual e reforça a capacidade de defesa autoimune do organismo;
  4. Suplementação e adaptação de hábitos alimentares: através da alimentação e suplementação adequada é possível manter níveis ótimos de testosterona. O objetivo é evitar a conversão de testosterona em estrogénio, inibindo a aromatase e a 5-alfarredutase principalmente com a otimização de níveis de oligoelementos e antioxidantes.
  5. Exercícios físicos específicos: os exercícios de Kegel consistem na contração e relaxamento dos músculos que compõem o pavimento pélvico. O objetivo destes exercícios é restaurar o tónus e a força muscular, prevenindo e reduzindo problemas no pavimento pélvico.

Portanto não é somente o crescimento do tamanho da próstata que deve ser levado em conta para a indicação de qualquer tipo de intervenção. Tratar os sintomas logo no início mostra-se essencial para evitar complicações mais graves no futuro.

Henrique Pedroso – Fisioterapeuta

Apaixonado pela profissão está sempre em busca de melhorar a saúde e o bem-estar dos seus pacientes.

Bibliografia consultada:

  1. https://clinicadopoder.com.pt/hiperplasia-benigna-prostata/ Acesso em: 20 abr 2021
  2. Pereira Bueno Filho, A. . (2020). A PRÓSTATA E SUA INTERFERÊNCIA NA SEXUALIDADE MASCULINA. Revista Brasileira De Sexualidade Humana, 14(2). https://doi.org/10.35919/rbsh.v14i2.536 Acesso em: 20 abr 2021
  3. Pereira NM. HBP e disfunção sexual. In: Lopes TM, Monteiro L (eds). Hiperplasia Benigna da Próstata. Lisboa: Serviço de Urologia do Hospital Pulido Valente 1998, pp. 83-94. Acesso em: 20 abr 2021
  4. https://www.publico.pt/2015/11/05/sociedade/opiniao/quebrar-o-tabu-hbp-nao-significa-perda-de-virilidade-1713351 Acesso em: 20 abr 2021
  5. https://ionline.sapo.pt/artigo/628227/hbp-a-doenca-que-nao-mata-mas-que-e-desconfortavel-?seccao=Portugal_i Acesso em: 20 abr 2021

 

 

 

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