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Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP)

  • O que é a Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP)?

    O que é a Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP)?

    A Hiperplasia Benigna da Próstata consiste no crescimento benigno da próstata. A partir dos 40-50 anos, a próstata pode crescer rapidamente, desenvolvendo-se a hiperplasia benigna prostática - um tumor benigno da próstata. Mais de 80% da população masculina maior de 50 anos receberá tratamento contra a HBP nalgum momento da sua vida, e 25% dos homens com mais de 80 anos será submetido a algum tipo de intervenção cirúrgica pela HBP.

    Na HBP também se verifica uma maior tendência para a progressão nas próstatas maiores que 30 cc e se o PSA desses doentes for superior a 1,5 ng/ml. Embora os níveis de antígeno prostático específico (PSA) possam estar elevados nestes pacientes devido ao volume maior do órgão, a inflamação prostática – prostatite associada a infeções do trato urinário e a alterações malignas da próstata; a hiperplasia prostática benigna não é considerada uma lesão pré-maligna.

    Muitas vezes, o quadro clínico da hiperplasia prostática benigna é acompanhado com a prostatite crónica concomitante. A presença da prostatite crónica associada a hiperplasia benigna da próstata é observada, segundo dados laboratoriais, de biopsia e cirúrgicos em 73, 70 e 55% dos casos respectivamente. As alterações inflamatórias na glândula prostática causam e/ou agravam os sintomas irritativos e obstrutivas da HBP, bem como reduzem a qualidade de vida da população masculina. Portanto, a nossa experiência clínica demonstra que a prostatite requer medidas específicas para a sua identificação e tratamento sempre que associada a HBP.

    Porque ocorre a HBP?

    A formação e o desenvolvimento da HBP deve-se a vários factores, entre os quais se destacam:

    A idade, que tem um papel fundamental. Em várias etapas do desenvolvimento masculino, o tecido celular adjacente à uretra multiplica-se. Quando os homens envelhecem, a produção de testosterona é mais reduzida e a quantidade de testosterona ativa no sangue é transformada em estrogénios. Essa conversão dá-se principalmente pelo aumento da atividade das enzimas aromatase e 5-alfa-reductase. Este contexto orgânico promove a multiplicação descontrolada de células da próstata.

    Hormonas masculinas (dihidrotestosterona - DHT). Na próstata existem receptores androgénicos que são estimulados pela DH Testosterona favorecendo o aumento do tamanho prostático. Parece haver associação entre níveis elevados de Estradiol que também atua sobre os recetores androgénicos, provocando um efeito sinérgico favorecendo o desenvolvimento da HBP.

    A alimentação do homem. Alimentação rica em proteínas animais, como as carnes e produtos lácteos está intimamente associada ao aumento dos níveis de IGF-1 (factor de crescimento celular inflamatório) e o consumo exagerado das mais variadas fontes de açúcares tende a activar a enzima aromatase. Alimentação portanto está directamente associada à diminuição dos níveis da testosterona e aumento de volume e tecido celular prostático.

    Que efeitos provoca?

    A HBP aparece como nódulos à volta da uretra prostática. À medida que vão aumentando estas massas formam-se lóbulos que podem comprimir a uretra e dificultar a passagem da urina. Este crescimento pode provocar os denominados sintomas obstrutivos. Além disso, envolvendo a HBP (adenoma) está a cápsula prostática formada por fibras musculares lisas e colagénio. Esta cápsula pode ter graus de elasticidade e distensibilidade diferentes, pelo que, se for muito elástica e distensível, o volume da HBP (adenoma) pode crescer muito, expandindo-se para a periferia, e não comprimindo a uretra.

    Quanto menos elástica e distensível for esta cápsula, mais o crescimento da HBP terá tendência para comprimir a uretra e provocar o conjunto de sintomas designado por prostatismo (não confundir com prostatite!). Assim como a presença de prostatite (inflamação da próstata) associada a HBP na maior parte dos casos clínicos, pode provocar os sintomas que facilmente se confundem com os do prostatismo. Desta explicação se pode concluir que não é o tamanho da próstata, nem os valores do PSA elevados, que impõem qualquer tratamento médico e/ou cirúrgico. Mas sim a avaliação de todos os factores intervenientes no desenvolvimento da HBP, a sua forma clínica e as patologias associadas, como é o caso tão frequente da prostatite.

    Sintomas

    A HBP pode provocar dificuldade em urinar, devido à compressão da uretra prostática. Na fase inicial, o doente apresenta muito poucos sintomas, devido a que o detrusor se hipertrofia e é capaz de esvaziar a bexiga. No caso em que a obstrução se vai desenvolvendo, apresenta-se uma série de sintomas obstrutivos denominados prostatismo.

    Sintomas obstrutivos

    • Dificuldade para começar a urinar (disúria)
    • Diminuição da força e calibre do jacto urinário
    • Incapacidade para interromper bruscamente a micção, pingando ao terminar

    Sensação de esvaziamento vesical incompleto da bexiga. Às vezes, retenção urinária, que é favorecida pela ingestão de álcool, demoras prolongadas sem urinar, infecções urinárias, ingestão de fármacos antidepressivos, tranquilizantes ou anticolinérgicos


    Sintomas irritativos

    • Urinar com maior frequência (polaquiuria)
    • Levantar-se durante a noite para urinar
    • Urgência em chegar à casa de banho quando sente vontade de urinar (urgência urinária), e se não o conseguir, perda de algumas pingas de urina (incontinência de urgência)

    A presença de sangue na urina (hematúria) é outro dos sintomas associados à HBP, sobretudo se é observada na fase inicial ao urinar; de facto, a hematúria é mais frequente na HBP do que no cancro da próstata; a hematúria também ocorre associada à prostatite que como já vimos é frequentemente concomitante com a HBP.

    Alguns doentes desenvolvem um prostatismo “silencioso”. Nestes casos, acontece uma obstrução lentamente progressiva, de forma tal que o doente adapta-se gradualmente aos sintomas (distensão vesical crónica). Em certas ocasiões pode apresentar perdas de urina, sobretudo durante as noites. Nestes doentes, na exploração detecta-se uma grande massa abdominal que consiste na bexiga totalmente cheia e distendida, que se denomina “globo vesical”.

    Ao efectuar uma análise de sangue, costuma revelar-se aumento de creatinina e ureia, devidas à influência renal provocada pela obstrução, e certo grau de anemia.
    A situação atrás descrita ocorre com especial frequência em pacientes diabéticos, nos quais por neuropatia diabética a bexiga perde sensibilidade o que facilita o processo de distensão vesical “silencioso”.

    Método integrado de tratamento não invasivo e indolor

    No tratamento da HBP associada ou não a prostatite, os nossos resultados de sucesso são comprovados com a terapêutica integrada que consiste na utilização simultânea de vários métodos específicos de tratamento, tais como:

    Terapia farmacológica. A utilização de medicação necessária e antibióticos de largo espectro (no caso da prostatite) são indispensáveis em simultâneo com o Tratamento Laser e a Massagem Prostática, para maior probabilidade de cura;

    Massagem prostática. A massagem prostática consiste na drenagem do fluido prostático de forma a eliminar a inflamação da próstata, reduzindo-lhe também o volume;

    Fisioterapia através do Laser de Baixa Intensidade: a Terapia Laser de Baixa Intensidade reforça a microcirculação, tem efeito anti-inflamatório, analgésico, antioxidante, restabelece a homeostase geral, sexual, genital e peniana, normalizando a função urinária e energia sexual, e reforçando a capacidade de defesa auto-imune do organismo;

    Suplementação e adaptação/alteração de hábitos alimentares. Através da alimentação e suplementação adequada é possível manter níveis ótimos de testosterona. O objetivo é evitar a conversão de testosterona em estrogénio e em DHT, inibindo a aromatase e a 5-alfareductase principalmente com elementos oligoméricos e antioxidantes.

    Exercícios físicos específicos. Exercícios de Kegel. Consistem na contração e relaxamento dos músculos que compõem o pavimento pélvico. O objectivo destes exercícios é restaurar o tónus e a força muscular, deste modo prevenindo e reduzindo problemas no pavimento pélvico.

    Benefícios

    • Melhoria da circulação sanguínea local
    • Melhoria da habilidade e sensibilidade sexual
    • Maior controlo sobre a ejaculação
    • Maior controlo da micção
    • Aumento da resistência sexual
    • Ajuda no controlo da função eréctil
    • Promoçõao do desenvolvimento saudável da próstata

    Deve pensar que sofre de um problema da póstata quando

    • Aumenta o número de vezes em que sente necessidade de urinar, tanto de dia como de noite
    • Diminui a força habitual do jacto urinário e pinga ao acabar de urinar;
    • Sente frequentemente necessidade de urinar com urgência;
    • Tem de se esforçar para começar a urinar;
    • Depois de urinar, inclusive 2 ou 3 vezes num curto espaço de tempo, fica com a sensação de que ainda tem urina na bexiga;
    • Não consegue urinar e retém toda a urina;
    • Se as situações descritas continuarem a piorar e/ou houver uma melhora esporádica, e para evitar prejuízos na bexiga, ureteres e rins, consulte o seu médico assistente ou um urologista.

     

    Referências bibliográficas:

    McNeal, J. (1978) Origin and evolution of benign prostatic enlargement. Invest Urol. Vol. 15. P. 340-345