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Doenças Cardiovasculares e Disfunção Erétil

  • Os hábitos de vida e a idade como factores de risco da Disfunção Erétil

    A Disfunção Erétil não é consequência inevitável da idade. Aliás, resulta, em grande medida, das patologias associadas aos hábitos de vida. Saiba quais são e como afetam a vida sexual.

    Embora a idade cronológica favoreça o desenvolvimento da disfunção erétil, não podemos afirmar que seja uma consequência inevitável do envelhecimento. Na realidade, assim como alguns idosos não padecem desta patologia, existem jovens que apresentam sintomas da mesma.

    Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares representam, desde 2001, 1/3 do total de mortes em todo o mundo. Aliás, em 2010, estas patologias tornaram-se a principal causa de morte nos países desenvolvidos. Esta subida reflete a degradação dos hábitos alimentares, os baixos níveis de atividade física (sedentarismo) e o consumo excessivo de tabaco, bem como de outras substâncias nocivas.

    Todavia, muitos homens diagnosticados com doenças cardiovasculares desconhecem que incorrem num risco acrescido de sofrer de disfunção erétil, patologia associada aos danos contraídos nos vasos sanguíneos e que degrada sobremaneira a saúde sexual.

    Patologias mais frequentemente associadas à disfunção erétil

    O quadro clínico de cada indivíduo espelha fielmente os seus hábitos de vida. Não surpreende, portanto, que entre as causas mais frequentes de disfunção erétil se encontrem patologias redutoras do fluxo sanguíneo no pénis - hipertensão arterial, arteriosclerose (ver glossário), diabetes e hipercolesterolemia (colesterol elevado) constituem os melhores exemplos.

    Naturalmente, quantos mais factores de risco se verificarem mais dificuldade terá o homem para desfrutar de uma vida sexual saudável e satisfatória.

    Na maioria dos casos, são as anomalias físicas internas como as supra referidas, bem como o processo inflamatório inerente à prostatite, que se encontram na origem da disfunção erétil. Neste campo, a diabetes assume-se como uma das patologias com maior expressão, prejudicando a função sexual do homem por via do estreitamento das artérias.

    Esse estreitamento dificulta a circulação sanguínea, impedindo o pleno afluxo de sangue ao pénis. Então, a quantidade e o volume dos corpos cavernosos (atrofia) diminui, bem como a elasticidade e a competência traduzida pela adequada contractilidade da túnica albugínea que os envolve, impossibilitando uma erecção consistente e duradoura.
    Estima-se que entre 10% e 20% dos homens afetados por uma patologia cardiovascular apresentam alguma forma de disfunção erétil. Esta percentagem tende a aumentar com a idade.

    A idade como fator de risco

    Quando manifestada em homens com 40 anos ou mais, a disfunção erétil pode denunciar uma situação cardiovascular pré-patológica. Torna-se assim obrigatório vigiar o sistema cardiovascular para tentar prevenir acidentes nessa área, na medida em que a arteriosclerose também é responsável por uma grande percentagem de casos de disfunção erétil nos homens com mais de 40 anos.

    Refira-se ainda que a idade biológica do sistema cardiovascular é definida pela sua capacidade de adaptação em situações de stress, angústia e ansiedade. Ou seja, quanto mais avançada for a idade biológica do sistema cardiovascular maiores serão as limitações do organismo como um todo.

    Todavia, a arteriosclerose não é exclusiva dos indivíduos com idade superior a 40 anos, nem os seus efeitos disfuncionais. Alguns estudos efectuados à aorta de crianças com idades compreendidas entre os 4 e os 16 anos, sem sinais clínicos de arteriosclerose, revelaram a presença de faixas lipóides (percursoras da doença):

    • Em 92% das crianças até aos 10 anos;
    • Em 100% dos adolescentes.

    Estes números provam que os problemas conducentes à disfunção erétil podem ter origem física precoce. Manifestam-se de forma mais premente à medida que a perturbação erétil se agrava.

    As doenças cardiovasculares são a principal causa de morbilidade e mortalidade em Portugal. De entre os principais fatores de risco destacam-se a obesidade, a hipertensão arterial, os níveis elevados de colesterol sanguíneo, o sedentarismo e o tabagismo, intimamente relacionados com os hábitos de vida.


    Glossário

    Aterosclerose – doença que se caracteriza pela presença de substâncias perniciosas depositadas nas paredes das artérias, incluindo substâncias gordas (como o colesterol). A arteriosclerose afeta artérias de grande e médio calibre. Desenvolve-se lenta e progressivamente.

    Arteriosclerose – doença caracterizada pelo espessamento e endurecimento das paredes arteriais.

    Doença cardiovascular – em geral, é qualquer doença que afete o coração e os grandes vasos. Entre as mais frequentes contam-se a doença das artérias coronárias, a doença cerebrovascular ou o AVC (acidente vascular cerebral).

    Hipercolesterolemia – excesso de colesterol no sangue. É prejudicial à saúde.