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Causas da Disfunção Erétil

  • As origens, sintomas e formas de tratamento da disfunção eréctil abordados em profundidade

    Prostatite, obesidade, hipertensão, tabagismo e alcoolismo são causas habituais de disfunção eréctil. Conheça os sintomas, as patologias e os tratamentos associados.

    As causas da disfunção eréctil (D.E.), bem como da impotência sexual, podem ser físicas ou psicológicas, sendo vários os fatores de risco a ela associados. Entre eles contam-se a obesidade, a hipertensão arterial, o tabagismo ou a prostatite.

    Uma vez que o Urologista/Andrologista determine a(s) causa(s) provável(eis) da disfunção que aflige o paciente, está em condições de prescrever o tratamento adequado.

    Após a avaliação clínica, poderá ocorrer uma de duas situações:

    1 - O Andrologista concluir pela não existência de fatores orgânicos documentáveis e, uma vez promovido o restabelecimento da homeostase, dar o paciente como curado;

    2 – O especialista em Andrologia remeter o doente para o especialista de saúde mental, caso a situação se mantenha e envolva sofrimento psicológico prévio ou decorrente da mesma.

    Por vezes, os melhores resultados são obtidos quando o Andrologista e o Psicólogo trabalham em equipa, na busca pelo tratamento mais adequado. Advogamos e promovemos esta conduta, sempre que necessário.

    Situações clínicas associadas à disfunção eréctil

    As situações clínicas mais vulgarmente associadas à função eréctil deficiente podem manifestar-se através de patologias diversas, que passamos a enunciar e explicar.
     

    I – Razões directas da disfunção eréctil

    Para uma compreensão mais ampla dos mecanismos que influenciam directamente a disfunção erétil, seguem-se exemplos e esclarecimentos das situações mais comuns (em alguns casos dramáticas) pelas quais passa um número significativo de homens que padecem de D.E.

    Atrofia dos corpos cavernosos e/ou da túnica albugínea

    A atrofia dos corpos cavernosos (ver glossário) e/ou da túnica albugínea (ver glossário) afigura-se, possivelmente, uma das causas mais comuns de disfunção erétil e impotência sexual. Portanto, esta patologia reflete-se no processo de envelhecimento de estruturas essenciais da função eréctil, podendo estar associada a numerosas causas endógenas e exógenas.

    Entre as causas endógenas desta patologia identificamos o tabagismo, os traumatismos e as infecções causadoras de prostatite.

    Por agressões exteriores entendem-se, nomeadamente, a “fratura” do pénis (fenómeno causado por movimentos intempestivos durante o coito), traumatismos resultantes de pancadas ou terapêutica radioativa.

    Por causas endógenas entendam-se as que resultam de uma vida “normal”, com o processo de envelhecimento inevitável.

    São três as principais doenças resultantes de causas endógenas e exógenas:

    1. Atrofia da túnica albugínea na face dorsal;
    2. Atrofia da túnica albugínea nas faces dorsal, ventral e na linha média dos corpos cavernosos;
    3. Atrofia da túnica albugínea em "anel" (ou Doença de Peyronie). É a estrutura a branco, alterada por muito escuro na imagem. Esta estrutura envolve completamente os corpos cavernosos não só no local identificado na imagem mas em toda a sua extensão.
     

    Incapacidade de preenchimento dos corpos cavernosos

    Uma ereção requer a existência de um fluxo sanguíneo no pénis 7 vezes superior ao normal, o que implica que os vasos se dilatem o suficiente para receber este volume extra de sangue.
    Um coito bem-sucedido resulta, assim, de uma pressão intra-cavernosa de 400 mm Hg (mercúrio) permanente ao longo de todo o ato sexual.

    A diminuição de elasticidade das artérias (arteriosclerose) e dos corpos cavernosos está diretamente associada ao seu endurecimento, impossibilitando a dilatação dos vasos. Assim, as artérias e as fibras musculares dos corpos cavernosos ficam impossibilitadas de se expandir e receber o volume sanguíneo adicional que permite obter e manter a ereção.

    Drenagem venosa anormal

    As ereções difíceis de manter ou que se perdem rapidamente antes da ejaculação podem resultar de uma drenagem venosa anormal (disfunção caverno-oclusiva, vulgarmente designada de fuga venosa).

    Há várias razões passíveis de originar esta situação:

    - A fraca musculatura lisa em forma de esponja (corpos cavernosos) pode gerar pressão insuficiente sobre as veias de drenagem do pénis (impedindo-as de fechar) e sobre os pontos em que as veias atravessam a túnica albugínea para regressarem ao organismo exterior. Este fenómeno ocorre devido à falta de expansão dos corpos cavernosos e/ou insuficiente contração da túnica albugínea (a bainha elástica que envolve os corpos cavernosos). Os compartimentos eréteis não são totalmente preenchidos. Neste caso, estamos perante uma disfunção caverno-oclusiva.

    - As falhas na ereção podem resultar de uma ligação anormal entre as artérias e as veias do pénis. Neste caso, a fuga venosa é causada pela drenagem anómala do sangue (a drenagem faz-se para fora dos compartimentos eréteis).

    - Drenagem excessiva devido à existência de veias extra, anormais, posicionadas em sentido contrário e demasiado volumosas. Este fenómeno designa-se de circulação colateral. Esta situação pode corrigir-se através da cirurgia da disfunção caverno-oclusiva.

    Doença de Peyronie

    Esta patologia pode confundir-se erroneamente com cancro. Um sintoma frequente da Doença de Peyronie é um pequeno alto que o doente poderá sentir sob a pele do pénis. Este alto não é mais do que uma fibrose no interior dos compartimentos eréteis. Julga-se que começa por se manifestar na túnica albugínea, estendendo-se em seguida aos corpos cavernosos.

    À medida que a fibrose progride ao longo das paredes dos compartimentos eréteis, o pénis torna-se incapaz de se manter direito quando em ereção. O tecido cicatricial repuxa então o pénis para o lado em que a fibrose ocorreu, “dobrando-o” na direcção da cicatriz. Por vezes, a distorção do pénis é tal que a ereção se torna dolorosa ou tão torcida que a penetração e a relação sexual bem-sucedida se tornam impossíveis.
    Pior ainda, esta fibrose pode restringir a circulação sanguínea no pénis, tornando flácida a zona da glande. Esta situação torna a penetração muito difícil ou mesmo impossível.

    Esta doença não é rara em homens com idades compreendidas entre os 40 e os 65 anos, mas pode verificar-se em qualquer idade.

    A sua causa é desconhecida, mas esta patologia pode associar-se ao consumo excessivo de álcool e tabaco. A Doença de Peyronie produz o máximo de lesões nos primeiros 6 meses a 1 ano, podendo depois tornar-se inativa, deixando a cicatriz.

    II - Arteriosclerose

    O endurecimento das artérias é uma causa muito comum de disfunção erétil.
    Há vários factores passíveis de originar insuficiência circulatória no pénis em idosos, mas os principais não surpreendem:

    • Colesterol elevado
    • Diabetes
    • Inflamação associada à prostatite
    • Hipertensão arterial
    • Tabagismo
    • Traumatismos.
       

    III - Condicionantes endócrinas da disfunção eréctil

    Um balanço hormonal ótimo é extremamente favorável à boa energia sexual e ao bom desempenho sexual. Para isso, concorre o equilíbrio da testosterona (hormona sexual masculina), do estradiol, da hormona de crescimento e da hormona tiroideia, essencial para que estas condições ótimas se verifiquem. Ainda assim, a disfunção erétil pode ocorrer.

    Saliente-se ainda que a presença excessiva de prolactina constitui um importante fator na diminuição do desejo e do desempenho sexual.

    Disfunção erétil causada pela diabetes

    Num período de 10 anos a partir do momento em que lhes é diagnosticada a diabetes, aproximadamente 65% dos homens que sofrem desta patologia identificarão sinais de mau funcionamento ao nível da ereção. O oposto também acontece - não é invulgar diagnosticar-se diabetes pela primeira vez em homens que manifestam queixas de perturbação erétil na consulta de Urologia/Andrologia.

    Com efeito, temos diagnosticado diabetes em indivíduos insuspeitos, cujas queixas são de disfunção erétil. Felizmente, o tratamento e o controlo da diabetes frequentemente revertem o processo conducente à disfunção erétil, hipótese que deve ser sempre encarada como prioritária no processo de reposição da normalidade erétil/sexual, bem como da sua melhoria.

    Condicionantes da perturbação erétil geradas pela diabetes

    É importante, antes de mais, entender a forma como a diabetes pode limitar o normal desempenho sexual. O processo físico é simples: começa por se verificar o endurecimento das artérias (arteriosclerose) e dos corpos cavernosos a ritmo acelerado, processo que resulta na restrição do fluxo sanguíneo ao pénis. Os corpos cavernosos perdem flexibilidade.

    Então, as lesões nervosas (neuropatias) impedem a normal transmissão de impulsos nervosos para os vasos sanguíneos e para os corpos cavernosos do pénis. Esta condição é uma das formas que a neuropatia diabética assume, estando igualmente na origem da perda de sensibilidade e na manifestação de dor nas pernas quando os referidos nervos estão envolvidos.

    O diabético que sofre de disfunção erétil pode gozar de uma normalidade total quanto aos restantes aspetos da sexualidade. Por exemplo, o desejo erótico poderá manter-se tão intenso como antes de a patologia se manifestar.

    À semelhança de muitos outros homens que sofrem de disfunção erétil, o diabético pode ser estimulado até à ejaculação e ao orgasmo, ainda que o pénis se mantenha flácido.

    Ao contrário do que possa pensar-se, a disfunção erétil não ocorre subitamente. Trata-se, em geral, de um lento declínio da função sexual. No diabético, à medida que a perturbação erétil avança, as fibras nervosas sofrem danos permanentes, até que a disfunção se completa.

    Aconselha-se o rastreio da diabetes aos homens jovens que apresentem sinais de disfunção erétil. Felizmente, muitas vezes a patologia é reversível através do simples controlo da diabetes.

    IV - Medicação anti-ulcerosa

    A Cimetidina é um medicamento amplamente usado no tratamento da úlcera gástrica. Pode aumentar a prolactina no sangue, daí resultando apatia, perda de desejo sexual e impotência física. A suspensão da medicação corrige a situação. Contudo, sempre e apenas por orientação médica. A Ranitidina, um medicamento equivalente, não exerce influência perniciosa sobre a Prolactina, podendo pode ser um substituto da Cimetidina. No entanto, a sua utilização exige a concordância do médico assistente.

    V - Priapismo

    O priapismo consiste numa ereção permanente e dolorosa que ocorre sem estimulação sexual, podendo manter-se até 6 horas. Os programas de auto-injecção com papaverina para tratamento da impotência tornaram esta outrora rara situação, em relativamente vulgar.

    Formalmente, tratava-se de um problema circunscrito aos indivíduos que padeciam de formas raras de doenças do sangue, como a anemia de células falciformes.

    Ereções com duração de 4 ou mais horas devem ser consideradas emergências médicas! Esses casos exigem a pronta intervenção de um Urologista, prevenindo assim a destruição extensa dos tecidos resultante da falta de fluxo sanguíneo e de oxigénio para o pénis.


    Glossário

    Anfetaminas - droga excitante do sistema nervoso central. Potencia as capacidades físicas e psíquicas do indivíduo.
    Barbitúricos - compostos derivados do ácido barbitúrico, de propriedades hipnóticas e antiespasmódicas.
    Corpos cavernosos - estrutura muscular organizada como uma esponja na forma de dedo. Existe duas destas estruturas no pénis, uma de cada lado da uretra. Em estado de flacidez do pénis estas estruturas contraem-se, esvaziando os “buracos da esponja” do sangue que as preenche ao máximo durante a erecção.
    Cocaína - alcalóide anestesiante e estupefaciente extraído das folhas de coca.
    Heroína - estupefaciente sucedâneo da morfina.
    Marijuana - estupefaciente que se obtém das flores e folhas secas do cânhamo.
    Túnica albugínea - bainha elástica que envolve e condiciona os corpos cavernosos, como se da “pele do dedo” se tratasse. Por vezes degrada-se e sofre atrofias, fibrosando em outras situações de muito mais difícil resolução, como é o caso da Doença de Peyronie.