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Prazer no feminino

  • O direito ao prazer no feminino

    Apesar da emancipação sexual, a liberdade e os direitos sexuais da mulher ainda estão por alcançar na plenitude.

    Apesar dos significativos avanços operados nos últimos anos, historicamente - e de forma geral - sempre se tentou privar a mulher do prazer e do erotismo.

    O século XX ficou marcado pelas maiores conquistas científicas de sempre, nomeadamente no que respeita à sexualidade.

    Nos anos 60, durante a chamada revolução sexual, sexólogos, médicos e grupos feministas iniciaram um importante processo no sentido de provar a significativa complexidade da anatomia feminina. Assim, lograram definir cientificamente as zonas de maior estimulação do corpo da mulher.

    A emancipação sexual da mulher

    A criação dos métodos contraceptivos permitiu separar os conceitos de vida sexual recreativa e reprodutiva. Devido a estes métodos, muitas mulheres evitaram gravidezes indesejadas. Desta forma, com maior segurança e ausência de receios, ficaram mais perto do prazer.

    O ponto G foi “revelado” nos anos 50 pelo ginecologista Ernest Gräfenberg. No entanto, só anos mais tarde, graças à investigação de médicos e grupos feministas, se descobriu que o clitóris era, afinal, o órgão sexual com maior potencial de estimulação feminina.

    Esta descoberta permitiu ainda esclarecer que a mulher pode, na realidade, ter orgasmos múltiplos.
    Reconheceu-se que diferentes mulheres encaram o erotismo de forma distinta e que o cérebro é o principal órgão do prazer, na medida em que processa os estímulos provenientes do corpo e da mente.
    Estabeleceram-se então algumas tendências gerais sobre a resposta sexual da mulher que, em certos casos, se tornaram universais e estereotipadas.

    Nas mulheres, a resposta sexual está particularmente associada a recordações, fantasias e sensações relacionadas com o tacto e com a dimensão emocional. Nos homens, encontra-se mais ligada à imagem física.

    Na anatomia feminina, o clitóris, os seios, os lábios e as costas são as zonas erógenas mais sensíveis, embora variem de mulher para mulher. Requerem, todavia, um período de estimulação superior ao do homem.

     

    Maior protecção e liberdade sexual

    A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabelece as linhas básicas sobre as garantias que devem nortear a actuação de cada indivíduo na busca por uma sexualidade livre e plena, desde que, obviamente, não limite a de terceiros.

    Para a agência de saúde das Nações Unidas, a sexualidade é um aspecto importante na vida humana. Encontra-se intimamente ligado ao sexo, à identidade do género, à orientação sexual, ao erotismo, ao prazer, à intimidade e à reprodução.

    Mas, apesar de tudo, a igualdade entre sexos ainda não existe – entre as duras realidades que diariamente testemunhamos podemos referir a repressão sexual, a censura do prazer, a violência nas relações ou a ausência de controlo sobre a reprodução.

    Por “analfabetismo sexual” e imposição do homem, muitas mulheres continuam a ser forçadas a ter relações sexuais que não desejam e lhes criam inúmeros problemas psicológicos, emocionais e físicos.
    Todos os anos, cerca de 500 mil mulheres morrem em todo o mundo por falta de assistência sanitária na sequência de complicações no parto. A estas, somam-se as vítimas de violência sexual e de doenças sexuais transmissíveis.

    Estes números constam do relatório da Organização Mundial de Saúde que descreve os problemas femininos em matéria da saúde sexual e reprodutiva. Um cenário ainda longe dos objectivos traçados pela OMS nesta matéria.

    O mesmo documento refere que, em todo o mundo, mais de 120 milhões de casais têm as suas necessidades sexuais não satisfeitas devido à inacessibilidade a métodos contraceptivos seguros e eficazes.

    Apesar da emancipação sexual protagonizada nos anos 60 e 70, inúmeras mulheres ainda vêm negado o seu inalienável direito a uma sexualidade livre, plena e segura, com acesso ilimitado aos métodos contraceptivos.