Fatores ambientais, alimentares e de estilo de vida estão intimamente relacionados com alterações genéticas que vão influenciar o nosso processo de envelhecimento ou manutenção de poder funcional, juventude e de qualidade de vida (epigenética).

 

METILAÇÃO DE DNA

Estudos sugerem que certos componentes alimentares podem alterar os níveis de metilação do DNA e consequentemente alterar genes específicos em tecidos sistémicos e/ou localizados, afetando a estabilidade genómica e até afetar a transcrição de supressores tumorais e oncogenes.

A metilação de DNA é uma ferramenta de sinalização epigenética comum que as células utilizam para bloquear genes na posição “off.

Nas últimas décadas, os investigadores têm aprendido muito sobre a metilação do DNA, incluindo a forma como ela ocorre e onde, também descobriram que a metilação é um componente importante em inúmeros processos celulares, incluindo o desenvolvimento embrionário, inativação do cromossoma X e preservação da estabilidade cromossómica. Tendo em conta os vários processos em que a metilação desempenha um papel chave, percebe-se a associação de consequências devastadoras dos erros na metilação que leva ao desenvolvimento de Patologias humanas.

O efeito que o consumo alimentar e o estilo de vida tem sobre a metilação do DNA pode ser exacerbado por variantes comuns de predisposição genética, agentes cancerígenos ambientais e agentes infeciosos, um tópico que permanece em extenso estudo científico. Além disso, a crescente literatura apoia que as condições ambientais durante períodos críticos de desenvolvimento humano podem influenciar o risco a distúrbios metabólicos, em parte, através de uma programação persistente de metilação do DNA.

 

ALIMENTAÇÃO

Existem inúmeros dados de apoio científico quanto à importância dos Folatos (encontrados principalmente nas crucíferas) como fatores nutricionais fundamentais no metabolismo de metilação do DNA. Outros componentes de alimentos bioativos incluem: Polifenóis, Flavonóides, Fitoestrogénios e o Licopeno.

A Dra Berit Johansen, professora de biologia na NTNU (Norwegian University of Science and Technology) diz:

‘uma alimentação diária com o consumo de 65% de Hidratos de carbono, faz com que uma série de classes de genes “trabalhe horas extra”, isso afeta não só os genes que causam a inflamação no corpo, mas também genes associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares, alguns tipos de cancro, demência e diabetes tipo 2 – doenças relacionadas com o ‘estilo de vida’.

A alimentação é a chave para controlar a suscetibilidade genética individual para a doença. Ao escolher o que comemos, escolhemos se vamos oferecer aos nossos genes ‘armas’ para nos proteger ou para causar a doença.

O sistema imunológico funciona como se fosse uma autoridade de ordenação e fiscalização do corpo. Quando consumimos muitos hidratos de carbono o corpo é ativado para reagir, o sistema imunológico mobiliza as suas forças, como se o corpo estivesse a ser invadido por bactérias ou vírus.

Os genes respondem muito bem ao alimento que lhe é fornecido para trabalhar. Quanto aos açúcares, o importante não é apenas a regulação da glicemia, a chave está no papel secundário de insulina, como hormona indutora a uma série de outros mecanismos. Uma alimentação saudável está maioritariamente associada ao consumo de alimentos que minimizam a necessidade do corpo para segregar insulina.

A secreção de insulina é um mecanismo de defesa em resposta ao excesso de glicose no sangue, independentemente da fonte de açúcar – sejam açúcares adicionados, amidos (batatas, pão branco, arroz, etc.), álcool, frutas, etc…

Para manter um ambiente ótimo para a estrutura dos genes, o equilíbrio é a perfeição, logo o ideal é não cair na armadilha de excesso de gordura/proteína. Esta condição pode tornar-se noutra armadilha semelhante ao excesso de açúcares.

Necessitamos de um equilíbrio em cada refeição, com alguns hidratos de carbono complexos e de qualidade e não apenas uma ou duas refeições exageradamente grandes ricas em açúcar, proteína e gordura. O equilíbrio entre quantidade e qualidade dos macronutrientes e micronutrientes, é a receita para manter os genes inflamatórios e outros que potenciam a doença sob controlo e para manter todas as funções celulares adequadas e com vitalidade.

Estudos têm mostrado resultados interessantes na redução da atividade genética nefasta, precisamente nalguns genes associados a doenças cardiovasculares e nos chamados “genes da juventude”. Estes foram regulados negativamente em resposta a uma alimentação equilibrada, em oposição a uma alimentação rica em hidratos de carbono.

 

EXERCÍCIO FÍSICO

Alguns dados também relacionam uma ligação entre a metilação do DNA com a prática de exercício físico e equilíbrio energético.

O exercício físico é uma das fontes mais poderosas para alterar beneficamente os genes.

Além dos imensos benefícios para o sistema motor do corpo, o exercício aeróbio não só ativa os genes ligados à longevidade como também ativa o gene que codifica o BDNF (do inglês Brain-derived neurotrophic factor, ou Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), a “hormona de crescimento” do cérebro.

A prática de exercício físico parece reconstruir um cérebro que resiste à atrofia cerebral e aumenta a flexibilidade cognitiva, protegendo assim o DNA e potenciando a qualidade de vida e a longevidade.

 

CARCINOGÉNESE

Um mecanismo comum para carcinogénese é o dano no DNA e, portanto, é bastante possível que agentes ambientais mutagénicos possam promover a formação de adutos de DNA (segmento de DNA ligado a um produto químico causador de cancro).

Com base em estudos epidemiológicos, a alimentação e o tabagismo (ativo e passivo) são as principais causas de cancro humano. Para prevenir o cancro e a degeneração celular, é importante identificar quais os agentes lesivos/mutagénicos e evitar a exposição a estes, direta ou indireta.

 

Os números são claros, está na mão de cada indivíduo adotar as medidas preventivas adequadas para um estilo de vida mais saudável, proteger o DNA e manter o Poder Sexual, Juventude e Qualidade de vida!

 

Nutrição Funcional e Nutrigenómica

Fontes:

  1. Kasai (2016) What causes human cancer? Approaches from the chemistry of DNA damage. Genes and Environment 38:19
  2. Lim U1, Song MA. Dietary and lifestyle factors of DNA methylation. Methods Mol Biol. 2012;863:359-76.
  3. Perlmutter, D., Loberg, K. (2013) Cérebro de Farinha. Nova Iorque, Lua de papel
  4. Phillips, T. (2008) The role of methylation in gene expression. Nature Education 1(1):116
  5. The Norwegian University of Science and Technology (NTNU). “Feed your genes: How our genes respond to the foods we eat.” ScienceDaily. ScienceDaily, 20 September 2011. <www.sciencedaily.com/releases/2011/09/110919073845.htm>
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