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Benefícios de um tratamento tiroideu

  • Como tratar o Hipotiroidismo

    Saber o que é o Hipotiroidismo e como se manifesta é o primeiro passo para o seu tratamento.

    Sente-se fatigado? O seu peso vem aumentando? Ou, quem sabe, apresenta perdas de memória?

    Manifesta variações de humor? Quando persistentes, estes sintomas – a par de outros – associam-se à baixa função tiroideia, também designada Hipotiroidismo.

    O que é o Hipotiroidismo?

    Aproximadamente 5% das pessoas sofre desta patologia que, no entanto, se manifesta mais frequentemente no sexo feminino. O Hipotiroidismo verifica-se quando a glândula Tiróide não produz hormona tiroideia (sugestão de texto para associar a “hormona tiroideia”: O que é a Hormona Tiroideia? – texto 4 do 4º grupo) suficiente para apoiar as funções metabólicas do organismo.

    Esta glândula segrega duas hormonas principais, a Tiroxina (T4) e a Triiodotironina (T3). A T4 é a hormona tiroideia, essencialmente produzida pela Tiróide. No fígado e nos rins converte-se na hormona metabolicamente activa, a T3. Esta é a hormona responsável pela regulação do metabolismo, pela produção energética, pela temperatura e gordura corporais, pelo colesterol, pela função cognitiva e pela melhoria dos sintomas.

     Como saber se os níveis da hormona tiroideia estão baixos?

    São mais de 200 os sintomas relacionados com a baixa função tiroideia, que melhoram por via de uma compensação óptima da hormona. Eis alguns dos mais relevantes:

    • Temperatura corporal mais baixa
    • Insuficiente circulação sanguínea nos pés e nas mãos
    • Fadiga física e mental
    • Perda de memória, pensamento confuso
    • Dores musculares e articulares
    • Pele seca e unhas quebradiças
    • Cabelo fraco e com queda acentuada
    • Perturbações digestivas (diarreia e outras)
    • Irregularidades menstruais
    • Infertilidade
    • Instabilidade emocional
    • Colesterol elevado
    • Aumento de peso

     Tratamento da hormona tiroideia

    Optimizar a função tiroideia repondo as hormonas tiroideias no nível óptimo (o mais elevado dos parâmetros considerados normais), pode aumentar significativamente a energia, o metabolismo e o bem-estar geral.

    Diversos estudos publicados, nomeadamente no New England Journal of Medicine (NEJM) e no The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism (JCEM), demonstram que a subida dos níveis de T3 livre para além dos níveis de T4 é essencial à obtenção destes resultados.

    Habitualmente, os médicos prescrevem hormona tiroideia sob a forma de T4. Porém, investigações recentes explicitam que, para os doentes sentirem bem-estar, esta terapêutica poderá revelar-se insuficiente. De facto, numerosos pacientes tratados por escassez de hormona tiroideia necessitam frequentemente de doses de hormona mais elevadas.

    Pode no entanto dar-se o caso de o paciente só ter noção do quão “mal” se sentia até que o seu estado apresente melhorias. De ressalvar que este resultado pode não ocorrer até que os pacientes hajam melhorado ou optimizado a compensação de T3, na medida em que, a nível celular, esta é a hormona responsável pela função tiroideia e pela manutenção dos níveis normais de colesterol, não a T4.

    Apesar de tudo, frequentemente os médicos receitam preparados de T4 visando a compensação tiroideia, que, na maioria dos casos, só tem lugar após várias aplicações. Na verdade, o emprego de um único preparado de T4 não permite a adequada conversão em T3, pelo que a melhoria dos sintomas se revela insuficiente. Para este fenómeno concorrem factores associados a uma função insuficiente da enzima 5’- deiodinase, responsável por essa conversão.

    Independentemente da causa para a reduzida conversão de T4 em T3, numerosos pacientes continuam a apresentar sintomas persistentes de hipotiroidismo após compensação efectuada com T4. Vários estudos significativos demonstraram que esta situação parece ser ultrapassada meramente acrescentando T3 ao regime de T4.

    O artigo «Thyroid status, disability and cognitive function, and survival in old age», publicado no The Journal of the American Medical Association (JAMA) demonstrou a importância da T3 na previsão da morbilidade, da mortalidade e do declínio funcional. Segundo o texto, quer a TSH (hormona estimulante da tiróide) quer a T4 não se mostravam úteis na antevisão desses fenómenos, estabelecendo que a T3 deveria ser o principal marcador usado para a compensação hormonal da tiróide.

    A combinação das hormonas T4 e T3, como sugerido por literatura recente, potencia a acção da hormona tiroideia T3 a nível celular.

    Baixos níveis de T3 resultarão num metabolismo fraco e em sintomas de hipotiroidismo – afinal, esta é a hormona tiroideia metabolicamente activa. Ao administrar T4 pura, de forma isolada, os níveis de T3 apresentam melhorias ínfimas, em consequência da insuficiente conversão da T4 em T3.

    Embora muitos pacientes melhorem com suplementação por T4 pura, a adicção de T3 ao preparado optimiza os níveis desta última hormona, algo que habitualmente não sucede com preparados de apenas T4. Só a suplementação com T3 aumenta o efeito antidepressor da hormona tiroideia.

    Recomenda-se a leitura dos excelentes artigos publicados nos NEJM, JCEM e JAMA para melhor avaliar a importância da T3 na optimização da saúde e do bem-estar (ver referências  bibliográficas).

     Acção tiroideia no nível óptimo

    O tratamento convencional para o hipotiroidismo envolve a restauração dos níveis normais de TSH, o que pode ainda manter níveis baixos de T3 livre. Tendo em vista a saúde e o bem-estar, actualmente considera-se necessária a restauração dos níveis desta hormona para o limite superior dos parâmetros da normalidade.

    Estes parâmetros, apresentados nas referências dos laboratórios, não reflectem os valores mais adequados ao restabelecimento da saúde e do bem-estar. Por outras palavras, “normal” não significa “óptimo” ou o que é melhor para o paciente.

    Um artigo recente publicado na revista Gerontology demonstra que num homem eutiroideu (ou seja, com valores normais a nível da tiróide) a suplementação tiroideia visando a obtenção de valores mais elevados resultou em melhorias cognitivas, da memória e da actividade geral.

    A par de outros, este estudo demonstra que a optimização de todas as hormonas, incluindo a da tiróide, promove um melhor metabolismo, saúde e bem-estar do que a manutenção dos níveis identificados como normais para a idade. Constitui, além disso, um factor preventivo de doenças.

    É importante manter presente que os níveis normais (média para a idade) de Estradiol, Estrogénio, Progesterona e Testosterona são de zero para a mulher na menopausa. Este é o nível tipicamente medido nas mulheres durante a menopausa, já que nesta fase da vida as senhoras já não produzem estas hormonas. O normal (nível zero) não é, de todo, aquele em que essas hormonas devem situar-se para efeitos de melhoria dos sintomas e benefícios quanto à protecção da saúde cardiovascular e músculo-esquelética. O mesmo se aplica à Tiróide. Baixos níveis de T3 possibilitam a prevenção de um maior risco de fractura, enquanto os níveis de TSH e T4 não permitem fazê-lo.

     Níveis normais de hormona tiroideia

    Um estudo efectuado em Roterdão e publicado na revista norte-americana Annals of Internal Medicine demonstrou que níveis normais de hormona tiroideia, situados nos 50% inferiores dos parâmetros de normalidade, permitiam ainda assim prever um aumento de 2.2 vezes do risco de doença cardiovascular.

    Em qualquer circunstância, os níveis óptimos de todas as hormonas, incluindo a tiroideia, afiguram-se determinantes para a melhoria dos sintomas e para a optimização da saúde em geral.

    É possível que a simples restauração dos níveis de TSH normais para a faixa etária na qual o indivíduo está inserido poderá não reflectir o seu melhor interesse. As análises laboratoriais poderão revelar valores tiroideus normais, ou normais baixos, e os pacientes continuem a apresentar sintomas de Hipotiroidismo.

    Segundo o British Medical Journal (BMJ), o objectivo da compensação hormonal da tiróide devia passar por se manter o tratamento até que o doente apresentasse os níveis de T3 livre e de T4 livre no topo da escala dos níveis considerados normais.

    Para se sentirem bem, alguns doentes poderão necessitar de atingir valores acima do normal (TSH suprimida). Alguns investigadores sublinham que os níveis de TSH não permitem prever os sintomas ou a melhoria dos mesmos, mas apenas o nível de T3 livre, já que esta é a hormona activa a nível celular. Embora o nível de TSH seja indicador de hipotiroidismo bioquímico, não permite prever a evolução dos sintomas clínicos.

    Alguns investigadores enfatizam que se os níveis de T3 livre e T4 livre forem mantidos no topo da escala normal, sem condicionamentos à supressão da TSH, o hipotiroidismo declarado é revertido.

    Os níveis de hormona tiroideia no sangue situadas na escala óptima e que, por consequência, resultam numa diminuição dos sintomas de hipotiroidismo, indicam uma função tiroideia saudável.

     Benefícios de um tratamento tiroideu óptimo

    A restauração da saúde e do bem-estar resultantes da compensação tiroideia manifesta-se de várias formas:

    • Melhoria da saúde em geral
    • Protecção contra o declínio funcional
    • Regulação da temperatura corporal e do metabolismo
    • Aumento de energia
    • Perda de gordura, favorecendo a obtenção de um peso corporal saudável
    • Normalização dos níveis de colesterol
    • Protecção contra doenças cardiovasculares
    • Prevenção contra a depressão e as variações de humor
    • Melhoria das funções cerebrais e cognitivas
    • Maior saúde da pele, cabelo e unhas


    Referências bibliográficas:

    Bemben, D., Winn, P., Hamm, R.M. et al. (1994). Thyroid disease in the elderly. J. Earn. Pract. Vol. 38. P. 577- 582